A educação nas redes públicas de ensino tem muito que melhorar, isso é fato. Há quem afirme que tais mudanças devem ser feitas na base, ou seja, haver a presença de um governo que altere tal quadro de má qualidade de ensino. Porém, é hipocrisia afirmar a solução será advinda a partir da política governamental, portanto o recurso mais viável de alterar a realidade atual das universidades públicas, de só as elites de escolas particulares e a grande parcela de estudantes ser composta por pessoas brancas, é indubitavelmente através do sistema de cotas.
É certo que os negros ao passarem no vestibular são “etiquetados” por cotistas, que tiveram uma melhor chance de ingressar na faculdade. O que estes mesmos cotistas não podem esquecer é que estão ali pelo mesmo objetivo dos demais alunos, e que não importa a forma que conseguiram alcançar esse grande passo, eles vão ter a oportunidade tão almejada de conseguir um bom emprego. A raiz do problema não é extinguir a dívida histórica que se tem com os negros atualmente, pelos passados séculos de escravidão, em que os negros eram objetos e somente após demasiado tempo de luta, foram conseguindo penetrar no cenário econômico-social do Brasil. A questão principal a ser debatida é o racismo exacerbado dos brasileiros, povo tão miscigenado pelas mais diversas etnias, e ainda assim tão preconceituoso. É este mesmo povo que em sua maioria é contra o sistema de cotas, alegando ferir o princípio da igualdade. Este princípio é ferido quando se vê apenas brancos no quadro político do país, os mais altos cargos na mão de pessoas brancas, nenhuma pessoa negra ter ocupado o cargo de presidente da República Federativa do Brasil; e por outro lado ver frequentemente negros em subempregos, como o de empregados domésticos, garis, flanelinhas, camelôs, responsáveis pela limpeza de empresas, etc.
Então, ressalta-se novamente que a maneira mais honesta e realista de mudar esse quadro de desigualdade no país é mediante o sistema de cotas, já que o racismo não tem dado essa chance de mudança.
E por final, é apoiada a opinião de Dworkin, em que ele afirma: “Eu defendo que uma sociedade sem preconceito racial e sem estereótipos tem probabilidade maior de ser justa na distribuição de riquezas e também tem maior probabilidade de ser melhor para todas as pessoas, em muitos outros aspectos. Parece-me que a questão ao Brasil é se as cotas em discussão tornariam a sociedade melhor no futuro, nesses aspectos. Não acho que um suposto direito à compensação deveria figurar no argumento”. Nesta afirmação ele sustenta que o argumento das cotas não é uma “compensação”, mas sim uma igual distribuição.


